segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Internet - materialização do inconsciente coletivo
É, isso mesmo. Além dos inúmeros sites com informações técnicas, os blogs e sites que viabilizam a comunicação entre as pessoas invadiram o espaço da internet, transformando em dados e em texto, legível, todo tipo de pensamento, sentimento, desejo e ação.
A internet tornou-se um banco de dados infinito de informações sobre as coisas, as pessoas, o mundo... E, claro, o acesso a este “inconsciente coletivo materializado” se tornou milhões de vezes mais fácil pelas ferramentas de busca, mais especificamente o Google.
É importante lembrarmos que muitas informações não podem ser encontradas na internet, na maioria dos casos, porque são muito antigas e nem a história oficial como ciência conseguiu resgatá-las. Para estes casos, ainda faz-se necessário desenvolver a intuição.
Mas é bastante interessante pensarmos em como a tecnologia proporciona aquilo que desejamos, muitas vezes sem que notemos.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Estudo sugere risco para a saúde em redes de transmissão de energia
- Faço questão de reproduzir esta notícia - porque na região de Sousas - Campinas-SP temos condomínios sendo construídos muito próximos das redes de alta tensão e preocupa-me a saúde destas crianças e famílias. Buscamos mais segurança e espaço para as crianças brincarem, construindo casas em grandes condomínios fechados e, às vezes, não sabemos dos riscos a que estamos expostos. Aline
Os campos eletromagnéticos são uma fonte de poluição ainda pouco estudada no Brasil. Na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), uma pesquisa sugere que as crianças que moram a uma distância de até 200 metros das linhas de transmissão de eletricidade são mais propícias a desenvolver leucemia. O trabalho pretende estimular novas investigações sobre possíveis efeitos dos campos na saúde da população.
A tendência, apontada pela bióloga Ciliane Matilde Sollitto em sua tese de doutorado, foi verificada por meio de técnicas de geoprocessamento. “Foram considerados todos os casos notificados de leucemias entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, do banco de dados do Registro de Câncer de Base Populacional do Município de São Paulo entre 1997 e 2004”, relata. “Dos 1709 casos, 693 registros foram georreferenciados, ou seja, tiveram sua localização fixada no mapa da cidade.”
Ao mesmo tempo, foram elaborados mapas registrando faixas de distâncias pré-estabelecidas ao longo das linhas de transmissão de energia elétrica no mapa da cidade de São Paulo, que serviram de base para a análise da influência dos campos eletromagnéticos em relação aos casos de leucemias. “Entre outros trabalhos, a análise se baseia em um estudo realizado no Reino Unido, com aproximadamente 6 mil casos registrados de leucemia infantil”, conta a pesquisadora. “Essa pesquisa revelou que havia uma tendência de maior incidência de leucemia entre crianças que residiam entre 200 e 600 metros das redes de transmissão de eletricidade.”
Os dados sobre as linhas e os casos georreferenciados de leucemia foram combinadas com a estatística populacional da cidade, obtida no censo do IBGE em 2000. O cruzamento das informações mostrou que nas áreas situadas a até 200 metros das redes de transmissão, a ocorrência de leucemia foi estimada em 22,46 casos por 100 mil habitantes, mais do que a incidência geral do município de São Paulo, que é de 19,34 casos em cada 100 mil moradores.
Exposição
A pesquisadora defende que novos estudos epidemiológicos sejam realizados sobre poluição eletromagnética. “É preciso investigar mais a fundo a exposição das pessoas a esse tipo de poluente, mais uma dentre as várias formas de poluição existentes na cidade”, ressalta. Ciliane também recomenda o aprimoramento dos registros de morbidade na cidade de São Paulo. “Como a leucemia infantil é passível de cura em cerca de 85% dos casos, é necessário obter dados precisos sobre sua incidência, e não apenas o número de mortes”, ressalta.
Os prováveis impactos das radiações não-ionizantes na saúde humana, especialmente entre crianças, são objeto de estudos internacionais aprofundados desde 1979, desde que a Agência Internacional do Câncer considera que os campos eletromagnéticos são possivelmente carcinogênicos.
A bióloga, funcionária da Prefeitura de São Paulo, começou a pesquisar a questão da poluição eletromagnética a partir de 2000, para atender as demandas de moradores de City Boaçava (Zona Oeste da capital), que questionavam sobre os possíveis efeitos do aumento da tensão nas linhas de transmissão pretendida pela concessionária de energia. Na dissertação de Mestrado, apresentada em 2006, Ciliane trabalhou com plantas indicadoras de poluição, orientada pelo professor Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica da FMUSP.
“Esse trabalho demonstrou que as plantas também apresentavam sensibilidade aos campos eletromagnéticos, do mesmo modo que acontece com a poluição atmosférica, podendo servir também como bioindicadores”, lembra a pesquisadora. A pesquisa para a tese de doutorado, defendida em abril deste ano, teve orientação do professor Luiz Alberto Amador Pereira.
Mais informações: nilcili@uol.com.br
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Consciência e aprendizagem

A palavra consciência pode significar "com ciência", ou seja, "com conhecimento", "estar ciente de".
No meu entender, temos consciência por meio da relação entre nossas percepções, nossos sentidos, que recebem estímulos com significado diante da série de informações que já temos armazenadas - por memória - e às quais estas informações novas selecionadas associam-se. As nossas percepções se delimitam por nossas experiências anteriores, nossa genética, nossas crenças, regras, princípios, valores, que norteiam nosso comportamento, nossos hábitos, nossa opinião e escolhas diárias.
E, além disso, em condições normais de saúde física e mental, temos consciência de que somos conscientes ou inconscientes em relação a questões e momentos específicos.
Os estudos da consciência, pelas mais diversas correntes da medicina e psicologia, entre outras ciências, certas vezes promovem mais dúvidas do que esclarecimentos para nós leigos, mas é sempre prazeroso tomar conhecimento de uma nova descoberta da neurologia.
Veja matéria abaixo publicada pela FAPESP.
Sinais conscientes
Agência FAPESP – Um estudo feito por um grupo de cientistas da Argentina e do Reino Unido indicou que algumas pessoas em estado vegetativo ou de consciência mínima são capazes de aprender e, portanto, de demonstrar pelo menos uma consciência parcial.
A primeira comprovação do gênero, que abre novo caminho para futuras terapias de reabilitação, está em artigo publicado neste domingo (20/9) no site da revistaNature Neuroscience.
Ao estabelecer que tais pacientes são capazes de aprender, os autores do estudo apontam que o método que utilizaram poderá ser usado para verificar o estado de consciência sem precisar recorrer a métodos de obtenção de imagens, como tomografias computadorizadas.
A pesquisa foi feita por cientistas da Universidade de Buenos Aires e do Instituto de Neurologia Cognitiva, na Argentina, e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Com uso do método clássico de condicionamento pavloviano, os pesquisadores emitiam um tom sonoro e imediatamente ativavam um aparelho que soprava ar nos olhos dos pacientes. Depois de um período de treinamento, os pacientes começaram a piscar assim que o tom era emitido, mas antes de o ar chegar a seus olhos.
Os autores destacam que esse processo de aprendizagem exige consciência da relação entre estímulos – o tom precede e prevê o ar no olho. O mesmo tipo de aprendizagem não foi verificado em exames dos pacientes do grupo controle, composto por voluntários anestesiados.
Os pesquisadores apontam que o fato de os pacientes serem capazes de aprender associações indica que eles podem formar memórias e eventualmente se beneficiar da reabilitação.
“Esperamos que esse método se torne uma ferramenta útil e simples para o teste de consciência sem a necessidade de exames de imagens. Além disso, nossa pesquisa sugere que, se o paciente mostra capacidade de aprender, ele poderá atingir algum tipo de recuperação”, disse Tristan Bekinschtein, da Universidade de Cambridge, primeiro autor do estudo.
O artigo Classical conditioning in the vegetative and minimally conscious state, de Tristan Bekinschtein e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.
Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11096/sinais-conscientes.htm
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Por uma definição de "amar"

Sempre que algo me incomoda, uma sensação de irritação, desconfiança, medo, raiva, toma conta de mim, no instante seguinte, o pensamento: ‘como seria enfrentar esta situação com amor?’
E o que é o amor? É certo que é um conceito convencionado, mas existe algo que se desperta em nossa mente e nossas emoções quando dizemos ou pensamos nesta palavra. Provavelmente, acessamos todos os pensamentos e sentimentos relacionados a este conceito, guardados no inconsciente coletivo; todos os momentos em que a palavra foi pronunciada com a intenção que ela carrega.
Mas, finalmente, se tivéssemos que definir, usaríamos símbolos, imagens, outras palavras, que ao longo dos séculos foram e são associadas ao ‘amor’ ou ao ‘amar’. No entanto, ocorre algo em nossas sensações, uma mudança que identifiquei todas as vezes que, no instante seguinte a um de medo, de irritação ou desconfiança, vivencie, pensei, ou mesmo pronunciei a palavra ‘amor’.
Ela veio, todas as vezes associada a respeito, a admiração, a reverência, a compreensão, a gratidão, a desapego. Mas, recentemente, estive pensando sobre a palavra, motivada por outras questões – e não por sensações – e percebi que, mais do que tudo, amar é compreender, é um sinônimo até de ‘saber’, ‘sabedoria’. Porque eu sinto que o sentimento de amor que se desperta em mim ocorre não quando desejo muito alguém, ou estar com uma pessoa, ou vivencio momentos de paixão, nem mesmo quando acaricio um familiar muito querido.
Ele se desperta quando ‘sei’ a posição das coisas e das pessoas, o lugar que elas ocupam na minha vida, sei a posição que eu ocupo e porque as relações se dão de uma maneira ou de outra. Eu simplesmente sei que é assim que deve ser. Compreendo o porquê a irritação me toma, o porquê das reações adversas das outras pessoas. Compreendo que, seja o estágio evolutivo que for em que estivermos, seja qual for nosso grau de autoconhecimento e sabedoria, todos temos boas intenções quando tomamos uma atitude, pareça ela boa ou má, no mínimo fazemos por instinto de sobrevivência de nós mesmos ou da espécie.
Então, vejo que quando sabemos, brota um sentimento de paz, e de que todos estão executando seus papéis como deveria ser, de que os sistemas em que estamos inseridos exercem um poder sobre nós e, muitas vezes, nos forçam a fazer coisas, a executar tarefas, a vestir roupas, a consumir, entre outras atividades; porque é neste ambiente, neste espaço e neste tempo que fomos designados a viver. Podemos buscar alternativas, podemos tentar nos isolar, fugir desta trama social em que nascemos, mas a verdadeira evolução se dá nela. Não me convenço de que é algo admirável o homem mais feliz do mundo estar num monastério. Até porque o conceito moderno de ‘felicidade’ é bastante Holliwoodyano. Respeito a escolha dos monges, mas é a diversidade de coisas e pessoas, e o turbilhão de vidas que se misturam em pensamentos, sentimentos, necessidades, desejos, sensações, ações e atitudes, que tornam mais intenso e venerável o processo de evolução e de autoconhecimento.
Por fim, concluo que amar é um sentimento de sabedoria suprema. É algo que lhe dá imensa gratidão de estar onde está, de ser quem é... e de que as pessoas que estão a seu lado estejam lá, que as que não estão, estejam vivendo suas vidas como deve ser, e entender a grandiosidade do mundo, da vida e a interdependência entre os seres e coisas, que faz do universo uma série de partículas, que se movem sem parar, num processo infinito de transformação, fora e dentro de nós, e que tecem aquilo que chamamos ‘realidade’.
domingo, 13 de setembro de 2009
A máquina

A máquina trabalhava todos os dias da semana, expediente de mais de 8 horas diárias, número não contabilizado na CLT. Mas, afinal, era só uma máquina. Embora, no fim das contas, parecesse mais um confessionário em que o crédulo “lava seus pecados”.
Bom, mas este não é o início da história. Tudo começa numa neorose. E o que começa em neorose nunca termina, por isso, esta história a exemplo do livro de Michael Ende, é uma história sem fim.
Mas, esta neorose também não pode existir sem o neorótico, então vamos lá.
O Sr. Avelino acordava, todos os dias, às 6h em ponto, nem um minuto a mais nem a menos. Este era o horário que seu despertador costumava tocas durante 30 anos de sua vida, período em que trabalhava pela manhã.
Embora seu expediente só começasse às 13h, de uns 10 anos para cá, ele continuou com um despertador biológico que não o deixava passar das 6h ainda que tomasse o remédio para dormir.
Então, diariamente, pulava da cama como gato posto pra correr e, depois da primeira parada no banheiro, p fogão e a máquina estavam a sua espera.
Água posta pra ferver, seguia até a lavanderia. Tão logo chegava, já iniciava a programação da máquina: roupa do cesto no tambor e aquele som de água enchendo, tranqüilizava-o e a deixava trabalhar.
A família toda dormindo por pelo menos mais uma hora e ele pronto para ir aonde quer que fosse necessário, ou claro, ficar ao lado da máquina só observando e sentindo sua vibração enquanto o sabão e a água se misturavam aos tecidos, provocando uma catarse de limpeza em nosso espectador.
E a máquina era sempre assunto, ainda que se falasse de grampos de cabelo, de dinheiro (mais especificamente moedas), de pêlos, ou da empregada.
Máquina era até motivo de nostalgia ou de discussões daquelas triviais entre família. E o sr. Avelino não entendia de roupa, de tipos de tecido ou de moda. Ele só sabia que todas as vezes que uma blusa preta ficava cheia de bolinhas brancas ou encolhia era culpa de sua esposa ou da empregada.
Aquele era um objeto sagrado capaz de afastar as pessoas em momentos oportunos, de lavar tudo o que se dizia ou fazia e que provocasse arrependimento ou mesmo apenas para fazer barulho o suficiente que não permitiria ouvir seus próprios pensamentos e fazer esquecer o que pudesse ter causado dor ou mal estar a alguém.
Fazia chuva ou sol, frio ou calor, dia ou noite, carnaval ou finados, e ela não parava. Bem, isso até surgir um barulho novo. E, sr. Avelino sabia identificar todo novo barulho tanto era o tempo que ficava a seu lado. Preferia lavar roupa e comer pão com carne amanhecida a pagar jantar para a família. Preferia abrir inúmeras vezes a tampa da máquina para inspecionar seu funcionamento a saber o que fazia seu coração bater mais forte e mais feliz.
Mas, não sejamos cruéis, talvez fosse a certeza de que tudo poderia ser limpo que lhe dava forças e alegria para seguir adiante. Talvez aquela vibração fizesse seu coração bater com mais intensidade.
A tecnologia não o surpreendia de fato. Sal avaliação minuciosa do funcionamento das coisas o fazia entusiasmado com uma combinação simples de pilhas e arame ou... água e sabão.
Então, um dia, a máquina começou a emitir um barulho estranho. E, embora sr. Avelino já houvesse executado muitos ruídos da máquina, este era assuntador, agudo como a trilha sonora de Psicose, de Hitchcock.
Chacoalhou de todas as formas. Passou semanas testando tecidos, volume de água, de roupas etc. Queria evitar ao máximo pagar um técnico: “Com certeza é algo simples e vão me cobrar o olho da cara”, dizia à mulher, com ares de papai da família urso – da Turma do Pica-Pau.
Continuou os testes, até que um dia, cansado de experimentar e continuar ouvindo o choro de sua companheira, chamou um profissional especializado e descobriu que o barulho nada mais era do que um suporte para evitar que gatos se alojem em seu interior. Foi uma descoberta totalmente inusitada e sr. Avelino contou esta história por anos a fio, a todos aqueles com quem conversava... no banco, na praça, no médico, no elevador, na rua...
(Aline Daher)
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
A simplicidade complexa
Bem, tenho que concordar que causa certa indignação a passividade em que as pessoas se encontram. Mas confesso que a minha indignação maior não é quanto à passividade dessas pessoas em relação ao que se passa no mundo, mas em relação ao que se passa consigo mesmas.
Nossa mente racional tem por hábito fazer comparações entre situações diferentes e estabelecer uma hierarquia de qual é melhor e qual é pior. Pode ser que alguns tenham razão em dizer que antigamente era muito melhor, porque as pessoas podiam ser escravas, mas elas tinham o que comer. Bom, eu não pretendo chegar a uma conclusão sobre esta hipótese, mas o que posso dizer é que, em toda história do HOMEM, tanto a compaixão quanto a crueldade conviveram, as catástrofes naturais sempre existiram. O que mudou é que na modernidade, nossa mente é invadida a todo instante com imagens e informações sobre os atos de homens das mais diversas etnias e de catástrofes das mais diversas.
As imagens da TV e do cinema, principalmente, criaram um mundo imensamente maior na cabeça do homem moderno do que o era para o homem feudal, antigo, ou pré-histórico. Este processo é interessante porque nos forçou a uma ampliação da consciência, ainda que muitas vezes ela seja mais degradadora do que o contrário.
Costumo pensar que uma verdadeira ampliação da consciência seria ver todas estas notícias, que se tornam habituais, corriqueiras, ordinárias, e compreender que, a crueldade, a compaixão, o amor, a dor, o sofrimento, a morte, a alegria e a celebração sempre fizeram parte da sociedade humana e de seu relacionamento com a Natureza; que embora desejássemos que todos tivessem responsabilidade sobre seus atos e pudessem tratar o mundo e o outro com respeito e amor, não temos controle sobre o comportamento do outro e, portanto, idealismos apenas criam oportunidade para frustrações.
Diante desta realidade complexa, que a mídia intensificou em nossa mente, a saída é olharmos para nós, nossa saúde física, mental, emocional. Indignar-se com as notícias não é verdadeiramente o que fará a diferença, o importante é saber o que cada um de nós vai fazer com estas imagens e informações que invadem nosso dia a dia, por vezes nos consolando, por outras nos agredindo.
Descobrir o que nos move, o que provoca amor ou dor e o que isso faz com nossas vidas, nossa saúde e com aqueles com quem nos relacionamos, é o melhor desafio diário que alguém pode ter.
Eu, sinceramente, muitas vezes, prefiro não saber de algumas notícias, embora jornalista.
Sei que, em alguns casos, não terei controle sobre o que aquela imagem ou informação vai provocar no meu emocional, então simplesmente prefiro não saber. Nossa sociedade valoriza demais aqueles que acumulam toneladas de informações superficiais sobre tudo, mas isso criou muitos homens dispersos, ansiosos, descontrolados emocionalmente, confusos mentalmente, agressivos, egoístas etc. É importante lembrar que toda a agressividade que se apresenta existe de forma latente em todos nós, o que precisamos é, sabendo disso, escolher o que faremos a seguir.
A mídia nos educa a todo momento, consciente ou inconscientemente, mas as instituições que produzem seu conteúdo nem sempre têm compromisso com esta função 'educativa' e, assim, nós temos que assumir este papel, sermos capazes de discernir entre o que é essencial para sermos pessoas melhores e o que nos torna doentes - física, mental ou emocionalmente. Esta é a simplicidade complexa: estar presente, consciente em cada escolha que fazemos, escolher cada imagem e informação a que teremos acesso, diariamente, para que, no longo prazo, o efeito cumulativo seja positivo para nossa qualidade de vida e daqueles que nos cercam.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O que dissemina ou contamina mais rápido?
O que dissemina mais rápido? O vírus da H1N1 nova ou os e-mails de Forward que tratam de seus mais infinitos males e fatalidades?
E não cheguei a uma resposta numérica ou lógica, mas a uma nova pergunta: o que mata mais? Vírus de gripe ou informação transmitida sem responsabilidade e compromisso?
A nossa mente é muito mais poderosa do que muitos acreditam que ela seja. E ela funciona por meio de associações de imagens, emoções, modelos de comportamento, conceitos, informações, dados. Para a maioria da população mundial, a emoção domina a razão, no sentido de que a paixão e o medo direcionam suas ações muito mais do que a lógica racional - da compreensão da conexão que existe entre as coisas, pessoas, espaço e tempo...
Este domínio da paixão e do medo são os responsáveis para que as pessoas disseminem uma informação, seja de onde for, porque ela revela uma ameaça á sobrevivência da espécie. Novamente, esquecemos que vivemos numa ecologia e que a raça humana não está fora dos ciclos de vida e morte. Construímos nossas vidas sob parâmetros chamados civilizados, mas há muitos que cultuam a verdadeira barbárie justificada por argumentos fortemente embasados em normas e regras desta sociedade. É um ciclo sem fim.
É importante dizer que existem pesquisas em países, principalmente da Europa, que revelaram a influência de notícias publicadas nos jornais sobre suicídio no aumento deste tipo de morte.
Precisamos nos cuidar? Nos proteger? Garantir a sobrevivência da espécie? Sim. Mas além de nos proteger dos vírus e bactérias e outros seres que podem ameaçar nossas vidas, temos que nos proteger de informação descompromissada com a saúde física e mental do homem, de informação desnecessária ou que apenas faça crescer o medo, o isolamento e, até mesmo, a crença de que estamos doentes, e a visão catastrófica do apocalipse.
Às vezes, tenho a impressão de que para alguns esta visão é reconfortante, porque se tudo acaba ao mesmo tempo, não há nada a se perder. Quanto egoísmo! Se pensássemos que não somos donos de nada, também não precisaríamos viver com medo de perder.
A imagem aterradora que estas informações criam na mente das pessoas é suficiente para alguns ficarem como 'Raul' - "com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar".
As informações não podem ser aceitas sem um contexto, sem uma fonte de confiança, sem comparações, sem meios que nos permitam fazer associações e compreendê-la de verdade. De que adianta a alguém receber a informação de que pode ficar doente ou de que pode morrer - isso todo mundo sabe. Informação importante é aquela que nos permite tomar alguma atitude, uma atitude positiva e não destrutiva.
Mas a verdade é que: o que se pode esperar de cidadãos comuns/usuários de e-mails pessoais, se empresas e profissionais da comunicação muitas vezes não são sensatos o suficiente para saber quais informação transmitir e quais não.
O que me consola é o fato de que momentos de crise e fragilidade são oportunidades sem igual para refletirmos e reestruturarmos nossa vida, nossos objetivos, nossa missão...tudo. E sempre existem alternativas. Cabe a nós escolher se vamos nos deixar contaminar.


